uma volta de 360º

e na verdade cá estou eu outra vez…
quantas vezes já pensei “tenho que encerrar o blog.. já não faz sentido” mas por algum motivo que me ultrapassa aqui dou por mim novamente a recorrer a este meu muro das lamentações, nem eu sei bem com que propósito.
na verdade gosto de escrever. e penso que é por esse motivo que acabei por nunca desistir do blog, principalmente porque o vou usurpando em alturas como esta em que me parece mais verdade a palavra escrita do que todas as palavras que possa proferir oralmente. quase como se houvesse um bloqueador de palavras entalado na minha laringe que me impedisse de dar voz aos meus pensamentos, às minhas emoções.
e assim aproveito este espacinho no universo da web para fazê-lo de quando em quando…

tanta coisa se tem passado. posso mesmo dizer que a minha vida deu uma volta de 360º, sim é certo 360º.. porque na realidade tudo mudou mas não saí do mesmo local. é certo que a vida me tem presenteado com pequenos mimos que vão enchendo os meus dias de ação e de esperança mas dou por mim a pensar se tudo isso é suficiente para saciar o meu profundo desejo de alcançar a felicidade.
“não me posso queixar” é o que digo e o que ouço dizer, mas isso chega? podemos nós intervir na nossa vida, nas nossas escolhas ao ponto de subirmos nos degraus da longa escada para a felicidade? não tenho resposta para essa pergunta.
continuarei à procura, ou talvez à espera que a resposta venha ter comigo, me encontre e me oriente.
acho que é muito redutor se nos resignarmos à nossa insatisfação e nada fizermos para nos envolver, e nos deixarmos levar pelas emoções e nos deixarmos invadir pelos sentimentos, pelas dúvidas, pelas angústias, pelo apelo dos sentidos.
para mim isso é viver. é adaptarmo-nos às circunstâncias que a vida nos traz e gozá-las ao máximo, agora pensar se isso é SER feliz..? para mim não é, mas neste momento é o que tenho. e terá que ser suficiente para ESTAR feliz pelo menos… e assim se vai vivendo (..penso eu).

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Quase um poema de amor

Quase um Poema de Amor

Há muito tempo já que não escrevo um poema De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza! 
A nossa natureza Lusitana 
Tem essa humana 
Graça Feiticeira 
De tornar de cristal 
A mais sentimental 
E baça Bebedeira. 

Mas ou seja que vou envelhecendo 
E ninguém me deseje apaixonado,Ou que a antiga paixão 
Me mantenha calado 
O coração 
Num íntimo pudor, 
— Há muito tempo já que não escrevo um poema De amor.

Miguel Torga, in ‘Diário V’

É Queima

Em época de Queima das Fitas toda a cidade se transforma e inunda de cores. É tempo de euforia, nostalgia.. A mais pura panóplia de sentimentos que já tive oportunidade de experimentar.
E é por toda a inocência e liberdade que já vivi nesta época em tempos idos, que não posso deixar de fazer uma sincera homenagem à Saudade. Palavra que, por variadíssimos motivos, tem dominado os meus pensamentos nos últimos dias.
A todos os que vivem hoje estes dias, recomendo que os apreciem e disfrutem em toda a sua essência porque mesmo os futuros momentos de felicidade extrema que nos estão reservados, nunca apagarão a Saudade que iremos sempre sentir desta etapa de vida insubstituivel.

 

Do Porto com Amor, Catarina.